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domingo, 4 de julho de 2010

“Só se preocupam com a novela”, reclama Silvio de Abreu


Marcello Antony em cena de Passione em que seu personagem sofre grave acidente (Fotos: Divulgação)
Marcello Antony em cena de Passione em que seu personagem sofre grave acidente (Fotos: Divulgação)
Para Silvio de Abreu, autor de Passione, a queda de audiência da novela das oito “é um movimento natural” da TV aberta como um todo. “Não sei porque só se preocupam com a novela”, reclama, lembrando que a produção que a Globo leva ao ar às 21h continua sendo o programa mais visto da TV brasileira.
Nesta entrevista exclusiva, concedida por e-mail, Abreu fala dos resultados das pesquisas feitas há três semanas com grupos de telespectadoras, para avaliar a aceitação da novela. E nega que Gerson (Marcello Antony) seja o pai de Fátima (Bianca Bin). Confira:
R7 - Segundo pesquisas feitas pela Globo, parte do público da novela das oito estranhou o que chamou de ritmo alucinado de Passione. Não é um contra-senso ter que puxar o freio numa época em que os seriados americanos arrastam parte do público, o mais jovem, para uma narrativa ainda mais frenética?
Silvio de Abreu - Não sei se é contra-senso ou não, só sei que a novela vai continuar como está. É claro que as observações do grupo [de discussões, que fez parte das pesquisas] foram importantes, mas Passione já está em uma outra fase de narrativa em que algumas histórias são privilegiadas por um período, sem que as outras percam o interesse.
R7 - O que de fato mudou em Passione por causa da audiência abaixo dos 40 pontos?
Abreu - Nada. Como já disse a novela já está mais concentrada desde o final do primeiro mês no ar, capítulo 24, e nem por isso perdeu o seu ritmo inicial. É só assistir e observar.
R7 - Quais tramas foram para o centro? Quais tramas vão ficar de molho por algum tempo?
Abreu - O molho nunca é por muito tempo. Todas as tramas estão sendo desenvolvidas ao mesmo tempo, umas ocuparão mais espaço do que as outras, por algum período, mas o revezamento será sempre constante.
O autor Silvio de Abreu
O autor Silvio de Abreu
“Clara tem grande empatia com o público, porque é uma vilã com ampla justificativa. Foi explorada pela avó, cresceu num ambiente hostil, mas tem um pronunciado lado bom ao se preocupar com a irmã. Isso faz com que as pessoas vejam nela uma grande chance de redenção. Agora, se ela vai ficar boa ou não, eu não falo.”
R7 - O que o público pesquisado disse sobre a suspeita de Gerson (Marcello Antony) ser pedófilo ou homossexual?
Abreu - O público está muito curioso com relação ao que ele chama de “O segredo de Gerson”. Isso prova que a novela tem interessado, e muito. [As pessoas que participaram da pesquisa] Discutem a possibilidade de ele ser isso ou aquilo, mas quando a pesquisa foi feita já sabiam que ele não era nem pedófilo nem homossexual. Apostavam então que ele fosse estéril, mas como isso já foi dito no ar, depois da pesquisa, que ele também não é, agora devem estar pensando que ele é hacker, como eu já li em algum lugar…
R7 - O que as donas de casa pesquisadas preferem que Gerson seja?
Abreu - Não perguntamos sobre isso. Mesmo porque eu já sei o que ele é desde a sinopse e isso não vai mudar.
R7 - A repórter Laura Mattos, da Folha de S.Paulo, descobriu que o segredo de Gerson é a paternidade de Fátima (Bianca Bin) e que ele procura obsessivamente, na internet, imagens da filha. Você vai mudar a história?
Abreu - Não sei que sinopse Laura Mattos leu. A que eu escrevi e envie à Globo não fala isso. A minha resposta cheia de pontos de interrogação não era uma afirmação, era só uma brincadeira em cima da especulação que se criou em torno de Gerson. Não vou mudar nada da história que planejei e não posso ser responsável pelas especulações que fazem sobre os personagens e tramas da novela.
R7 - As pesquisas mostraram que as telespectadoras torcem para que você torne Clara (Mariana Ximenes) em uma pessoa boa. Por quê? Você vai atender à torcida?
Abreu - Clara tem uma grande empatia com o público, além do carisma e talento de Mariana Ximenes, porque é uma vilã com ampla justificativa. Ela foi explorada pela avó, cresceu num ambiente hostil, mas tem um pronunciado lado bom ao se preocupar com a irmã, não querendo que Kelly (Carol Macedo) sofra o mesmo que ela sofreu. Isso faz com que as pessoas vejam nela uma grande chance de redenção. Mas quem colocou essas atenuantes no seu caráter para que o público gostasse dela foi o autor, portanto tudo está correndo como o previsto. Agora, se ela vai ficar boa ou não, eu não falo.
R7 - O sr. acredita em pesquisas? Faz todas as mudanças que elas sugerem?
Abreu - As pesquisas são excelentes para saber se a novela está se comunicando bem com o seu público, se eles estão com alguma dificuldade de entendimento, ou se existe alguma rejeição forte com relação a algum tema ou personagem. A única dificuldade apontada em Passione está realacionada à velocidade da narrativa.
R7 - É mais difícil escrever novelas hoje do que, por exemplo, nos anos 1980 e 1990? Por quê?
Abreu - É a mesma coisa. Novela é um produto específico e muito trabalhoso.
R7 - Em 2006, para citar uma novela sua, Belíssima trafegava no trilhos dos 45 aos 50 pontos (e, muitas vezes, até mais de 50). Hoje, é difícil uma novela das oito se manter entre os 35 e os 40 pontos? O que aconteceu em apenas quatro anos?
Abreu - Não tenho a menor idéia. O que eu sei é que a novela das oito ou das 21h continua a ser o programa de maior audiência da televisão brasileira. Ou seja, esse é um movimento natural. Não sei porque só se preocupam com a novela.
R7 - Tem muita gente hoje assistindo à sua novela fora do horário em que ela vai ao ar ou em outra mídia, como a internet?
Abreu - O número de acessos diários no site de Passione já chega a um milhão de internautas. É muita gente interessada na novela e, não posso afirmar isso, mas imagino que muitios assistem aos capítulos no computador.
R7 – Você vai mesmo voltar a dirigir filmes depois de Passione? Qual será o projeto?
Abreu - Toda vez que penso em voltar a dirigir cinema me dá uma grande preguiça. Vamos ver quando acabar a novela.
R7 - Escrever novela não é muito mais trabalhoso do que dirigir um filme?
Abreu - É diferente, no momento prefiro escrever novela. Como já disse, quando acabar eu penso no assunto.
Fonte:Daniel Castro

domingo, 27 de junho de 2010

Bianca Rinaldi: ‘Nunca fiz progressiva! Faço escova e chapinha’


Bianca Rinaldi já foi paquita e atriz-símbolo do SBT. Atualmente, a loura, estrela da TV Record, dá expediente em “Ribeirão do Tempo” e ainda cuida das gêmeas Beatriz e Sofia, de 1 ano e 1 mês. Nas “Perguntas fora do comum”, a atriz conta que nunca fez escova progressiva nos seus cachos e que adoraria ter poderes de mutante para dar conta das peraltices das filhas.
— Cansada, já fingiu estar dormindo quando ouviu suas filhas chorarem?— Nunca! Vou correndo até elas sempre que precisam.
— Se não fosse atriz, o que você seria?
— Ginasta.
— Já deu de mamar ou remédio mais de uma vez para a mesma gêmea?
— Não. Primeiro porque sou extremamente organizada; segundo, porque elas são bem diferentes.
— Já quis ser morena?
— Sendo atriz, tenho a oportunidade de estar sempre mudando o visual. Já passei por várias cores de cabelo. Adoro!
— Você tinha os cabelos bem cacheados. O que as progressivas representam na sua vida?
— Nunca fiz progressiva! Faço escova e chapinha para ficar com o cabelo liso.
— Sabe quanto você gasta com fraldas, lenços umedecidos e pomadas todo mês?
— Foi a primeira conta que fiz. Olha, não é barato. Não vejo a hora de elas saírem das fraldas.
— Você era a queridinha do Silvio Santos. Ficou nervosa ao ver o Homem do Baú cara a cara?— Quem não fica?! O homem é uma lenda viva da TV brasileira.
— Onde você guardou sua roupa de paquita?
— Coloquei em quadros.
— Que poder de mutante você gostaria de ter para cuidar de gêmeas?
— Queria o poder de hipnotizar e de velocidade.
— O que dá mais trabalho: cuidar de duas crianças, decorar os textos da novela ou cuidar do visual?
— Acho que cuidar do visual. Tem que ter muita paciência!
Fonte: RD1 & Retratos da Vida

Na Record, novela tem que matar leão, diz Marcílio Moraes

Flores, personagem de Antonio Grassi, lubrifica uma pistola (Foto: Munir Chatak)
Autor de Ribeirão do Tempo, Marcílio Moraes, 65 anos, está tentando escrever uma novela diferente. Reconhece ser impossível fugir do maniqueísmo, mas já conseguiu alguma inovação ao colocar no ar um vilão que se apresentou na pele de um personagem que, inicialmente, parecia ser vítima.
Idealista (foi um "ícone de 1968"), perseguido pela ditadura militar, o professor Flores, interpretado por Antônio Grassi, teve a mulher, Dirce (Françoise Forton), brutalmente assassinada nos primeiros capítulos. Quando a trama parecia lhe mostrar o destino do típico perdedor, Flores revolou-se do mal. Utópico alucinado, como define Moraes, é o arquiteto de uma grande conspiração que pode levá-lo à Presidência da República.
Nesta entrevista exclusiva ao R7, Marcílio Moraes, fala da trama e da narrativa de Ribeirão do Tempo e da dificuldade de conquistar o público às 22h e na Record.
O autor Marcílio Moraes (Foto: Michel Ângelo)
O autor Marcílio Moraes (Foto: Michel Ângelo)
R7 - A  audiência (dez pontos de média na Grande São Paulo) até agora decepcionou ou era esperada?
Marcilio Moraes - Minha expectativa não era alta no começo, não. Sinceramente, eu achava que não era uma novela para estourar logo nos primeiros capítulos. Eu conduzi a história de uma maneira suave, leve. Foi uma estratégia minha. Claro que eu contava que [a audiência] fosse um pouco mais alta. Foi um pouco mais baixo do que supunha, mas não muito.
R7 - Por que essa estratégia?
Moraes - Porque é uma história complicada. Eu achei que tinha de começar devagar. Mesmo porque não estava achando outro jeito de ir colocando a vida da cidade, construindo os pressupostos daquilo que vem adiante, apresentar os personagens, sem grandes conflitos, sem conflitos acirrados de início. Então eu tinha uma ideia de que [a audiência ia evoluir] lentamente, que o telespectador iria aderir lentamente, ou mais lentamente. É difícil prever.
Na Record é muito mais difícil. Cada novela tem que batalhar o seu espaço, entendeu? Não tem jogo.
R7 - Não tem tanta audiência estática...
Moraes - Não tem aquela fidelização que a Globo conseguiu ao longo de 40 anos. Na Record, cada nova novela tem que matar o leão.
É um horário difícil o das 22h. O público é muito errático. Até você conquistar, segurar o público, leva algum tempo. Errático no sentido de que ele não está fidelizado com muita coisa. A Grande Família tem um público fiel, mas o resto [dos programas] não tem, não. O futebol, se o jogo é bom, tem jeito, se não, é fraco. Casseta & Planeta é uma coisa específica, tem um pessoal que gosta, outro que não gosta. O filme [daTela Quente] que agrada muito é bom. Isso na Globo. Na Record também, para colocar uma novela ali você tem que conquistar o seu espaço.
Então me preocupei em contar minha história sem criar grandes artifícios para segurar o público. Eu achei que não ia valer muito a pena.
R7 - E quando a novela vai esquentar? Ou ela está esquentando agora?
Moraes - Ela está esquentando. Porque aquele negócio de colocar junto com a Bela causou um retardo grande.
R7 - Ela está uns sete capítulos atrasada, é isso?
Moraes - Pois é, e isso em um total de 20, 22 [capítulos] dá uns 30%. O ritmo fica defasado em 30%. Isso faz diferença, porque o espectador pensa: cadê a história?
R7 - E cadê a história?
Moraes - Ainda não veio, né? Era para vir devagar, mas uma hora tem que vir. Já era para ter vindo. Acho que ela começa mesmo aí com o assassinato do senador. Agora mesmo que ela vai esquentar.
R7 - Quando o senador morre?
Moraes
 - Na quarta-feira.
R7 - Por falar em assassinato, o Flores é do mal?
Moraes - Aí é que está a questão. Se é que a novela inova em alguma coisa, ela vai por aí, porque o Flores vai se revelar. A novela sempre acaba no maniqueísmo, não há como escapar disso ao longo da novela. O grande exercício do autor é ver até onde ele consegue levar uma ambiguidade dos personagens. Mas chega um momento em que entra o maniqueísmo.
O Flores é do mal, mas toda a postura dele é a de um cara idealista. Vou explorar exatamente isso: ele é um vilão, mas um vilão que vai ter um discurso não sei se politicamente correto, mas politizado, utópico. O que ele tem é uma utopia alucinada na cabeça. Os motivos dele não são mesquinhos, ele não quer botar a mão num bom dinheiro, matar o herdeiro para ficar com a fortuna. Ele tem uma utopia revolucionária. É um alucinado, um psicopata, mas desse calibre, não do calibre pequeno.
Nicolau (Heitor Martinez) atira em Heleninha (Adriana Prado) e no próprio pai, o senador Érico (Henrique Martins), em cena que vai ao ar nesta quarta (Foto: Michel Ângelo/TV Record)
R7 - Na verdade, ele está manipulando o Nicolau com fins políticos, não é?
Moraes - Sim, com fins políticos. Há uma aliança alucinada. Um pouco do barato da novela vai ser esse jogo [de ambiguidade]. Mas vai ficar claro que ele é do mal. Eu acredito que isso aí, quando você entra com o vilão, você segura o espectador, o vilão acirra sentimentos. O resto da história também está amadurecendo.
R7 - Você me disse uma vez que Ribeirão do Tempo é uma novela sobre uma grande conspiração política...
Moraes - É essa a conspiração. O grande conspirador é o Flores. Foi isso que eu tentei esconder o máximo que pude, porque aquele que aparece no início como um herói, uma vítima da ditadura, que teve a mulher assassinada, ele é o vilão. A minha ironia, o meu jogo irônico é esse. Ele faz uma conspiração, ele vai armar esse negócio todo.
R7 - E onde isso vai chegar? Pode contar?
Moraes - (risos) Eu tenho algumas coisas na cabeça, mas há muitos caminhos abertos, para onde posso ir deixando acontecer, um pouco para sentir até onde vai, entendeu? Como é uma ficção política, posso ir para qualquer lugar. No final ele pode ser eleito presidente da República. É uma ficção política, então não tenho compromisso. Eu trabalhei um pouco uma linguagem não compromissada com o naturalismo. Não é bem naturalista a novela. Mas também não é totalmente não naturalista porque a novela exige algum naturalismo. Mas foge do naturalismo.
R7 - Você já deu dicas desse não naturlismo logo no primeiro capítulo, com o velho do rio, a menina que se veste de menino...
Moraes - É, tem umas figuras bem ficcionais. São dicas de que não estou tão compromissado com o naturalismo, que posso abrir, posso viajar um pouco.
Isso tudo eu acho que prejudica a questão da audiência. Prejudica não, exige uma audiência mais atenta, por isso a adesão é mais lenta, por causa da ironia. Mas eu trabalho com todos os elementos do folhetim para segurar o telespectador, mas não estão tão óbvios, pelo menos neste início, tem muitas nuances.
R7 - Esse jogo de "engana", o Flores parece vítima mas não é,  não é perigoso?
Moraes - Pois é, eu escondi muitas cartas, o que é perigoso. O telespectador não vê a carta e vai embora. Mas, enfim, era necessário para criar o clima.
R7 - Por que você fez opção? Por causa do horário mais tardio dos primeiros capítulos, devido ao final de Bela ou foi uma opção de narrativa?
Moraes - Foi uma opção de narrativa mesmo. A forma como a história foi aparecendo na minha cabeça foi essa. Se eu começasse com artifícios, iria me perder. Se adiantasse muito as ações, iria ficar mais difícil para o espectador perceber todo o jogo. Mas na verdade minhas novelas sempre começam devagar.
R7 - As novelas da Record levam mais tempo para se apresentar?
Moraes - Foi o que eu disse no início. Na Record, leva tempo. Vidas Opostas, por exemplo, foi um sucesso, mas padeceu uns dois meses, até que um dia bateu a Globo e aí explodiu. Essas Mulheres também teve um começo difícil. Outras novelas também, como Mutantes. Cada novela tem que chegar e conquistar o seu público.
R7 - Depois do assassinato do senador haverá uma série de crimes?
Moraes - Vai ter assassinatos, mas não imediatamente, porque vai acontecer muita coisa, o jogo da vida da cidade, o jogo político, as ironias, os amores.
R7 - Tem um serial killer na novela, não?
Moraes - Tem o grande vilão, que é o Flores, além do Nicolau.
R7 - Mas o Flores matou a própria mulher, Dirce?
Moraes - Não, a morte da Dirce é outro segredo. Mas não tem um serial killer, alguém matando. O motivo dos crimes é político. Essa é a trama.
R7 - Mas teremos outros crimes?
Moraes
 - Teremos. Crime é sempre bom, né?

Matéria do Daniel Castro